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Afecções
mais Comuns
Lesão de Reabsorção
Odontoclástica dos Felinos - LROF
MV Alexandre Venceslau
- CRMV-SP 13557
A
lesão de reabsorção odontoclástica dos felinos (L.R.O.F.)
é atualmente um grande enigma dentro da odontologia veterinária.
Isto porque, apesar de inúmeros estudos e pesquisas em
todo o mundo, ainda se desconhece a verdadeira causa e
o melhor tratamento para esta afecção.
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Esta doença acomete apenas os felinos. Apesar de existirem
outras formas de reabsorção dental nas mais variadas espécies,
a maneira como a L.R.O.F. se desenvolve é descrita somente
em gatos. Estudos mostram que aproximadamente 60% dos gatos
terão ao menos um dente acometido ao longo da vida, e que quanto
mais velhos os animais, maiores as chances de desenvolver a
L.R.O.F. Depois da doença periodontal, esta é a afecção mais
comum na cavidade oral dos felinos domésticos.
O problema todo se inicia devido à atividade de células especializadas
chamadas odontoclástos. Estas células, em condições normais,
são responsáveis pela reabsorção das raízes dos dentes decíduos
apenas, e uma vez que eles deixar de existir na boca dos animais,
elas não mais deveriam agir. Ainda não se sabe o por quê, mas
em um determinado momento na vida dos gatos, elas retomam o
processo de reabsorção nas estruturas dos dentes, desta vez,
nos permanentes.
Fatores nutricionais, metabólicos, imunológicos, infecciosos
têm sido implicados em estudos da L.R.O.F., mas de concreto
ainda não se chegou a um consenso. A doença é classificada conforme
o grau de acometimento, indo desde a reabsorção de esmalte e/ou
cemento apenas, até o comprometimento total das estruturas dentárias,
com perda total do elemento dental (coroa e raiz). Pode ou não
estar relacionada a processo inflamatório local.
Normalmente esta reabsorção se inicia no colo do dente, e os
sinais clínicos mais comuns são:
- inflamação e/ou hiperplasia da gengiva ao redor do dente acometido;
- salivação;
- animal com dificuldade para apreender ou "mastigar" os alimentos
(dor!);
- animais "correm" da comida (dor!);
- diminuição ou falta de apetite do animal;
- lesões nos dentes parecidas com cáries;
- perda dos dentes sem causa aparente.
Já foram tentados tratamentos restauradores (similar ao que
se faz em dentes cariados nos humanos) mas na maioria dos casos,
o processo de reabsorção ainda continuava por debaixo das restaurações.
O tratamento mais preconizado ainda é, infelizmente, a extração
dos dentes acometidos. Como se desconhece a causa exata desta
afecção, é muito difícil instaurar um tratamento que
seja realmente eficaz. A prevenção também é bastante discutida,
uma vez que a doença também é encontrada mesmo em animais que
apresentam boa higienização oral.
Após a extração, os animais passam a se alimentar melhor e parecem
perder os sinais de dor. É importante salientar que mesmo após
o tratamento ter sido realizado (extração de um ou mais dentes),
não quer dizer que a lesão não vá mais ocorrer no mesmo animal;
pode ser que outros dentes venham a ser acometidos, como pode
ser que o paciente nunca mais tenha novamente a LROF.
O mais importante, portanto, é a constante avaliação da cavidade
oral dos felinos, bem como a correta orientação aos proprietários
de gatos quanto a L.R.O.F. e seu tratamento.
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